quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A arte de cozinhar

Por um longo tempo, desde que a minha bisa me ensinou a cozinhar, achei que fazer comida era uma obrigadação. Com 24 anos tive um click mental e fui fazer nutrição, achando que ensinariam a preparar refeições. Ledo engano. Como a vida dá suas voltas, fui fazer estágio numa cozinha experimental, onde cozinhar era tudo. Aprendi a minha maneira a criar receitas e executá-las. Com o passar dos tempos, aprendi culinária, gastronomia sem fazer curso específico. Adquiri habilidade trabalhando com pessoas e profissionais do bem que ensinam e eu nunca deixei passar as oportunidades.
Passado anos, percebi que cozinhar é um ato de amor. Ouvir os ingredientes e temperos para o prato sair redondo. Daí veio a pergunta, como fazer para que o outro execute igual? O outro tem que estar na mesma sintonia. Amar cozinhar, respeitar os ingredientes e assim tudo fica muito gosto.
Há um outro item fundamental: tempo. Criar e executar receitas precisa de tempo...
E o mais interessante que todos podem cozinhar e bem.
Quer tentar? É respirar fundo e deixar a energia dos alimentos fluir por todo o seu corpo e aproveitar o tempo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um dia de cada vez na cozinha

A cozinha é um laboratório solitário.
Acertos e erros feitos neste espaço sagrado são meus. Não estou falando de sucesso ou insucesso e sim do momento de aprendizagem.
A minha bisa me fez conhecer este mundo, comida caseira, comida para cerca de 10 pessoas, trabalhando com safra e escassez.
Hoje os tempos são outros. Tem ingredientes que tem o ano todo e fazer comida ficou mais fácil e gostoso.
Melhorou muito depois com a abertura de mercado na era Collor. Conheci novos ingredientes, ingredientes diferentes, ingredientes que podem ser misturados, separados, técnicas e utensílios novos.
Hoje um simples arroz, pode ter um toque especial de Flor de sal do Caucaso, o importante é ter vontade de experimentar e não ter medo de errar, por isso que falo do laboratório solitário.
Eu penso, crio e preparo, porque o prato está na minha cabeça e a execução só eu sei. Quando dá certo chamo até o cachorro do vizinho para experimentar. Quando dá errado, não penso duas vezes de jogar no lixo....sem antes pensar o que fiz de errado.
Deixo a minha mente aberta para experimentar o antigo, o moderno e o novo.
Tudo isso misturado faz que eu crie

sábado, 5 de novembro de 2011

Aprendendo a gostar de cozinhar

Depois de muito tempo, volto a escrever neste blog.
Por alguma falha na nossa educação, ensinam-nos a ser economicamente independente e esquecem de ensinar como sobreviver fazendo a nossa própria refeição.
Somos educados a estudar, ganhar a vida, comprar casa, casar e ter filhos e não nos ensinam a preparar nossa própria refeição, que é uma base da nossa sobrevivência.
Lembro quando era criança, minha mãe saindo para trabalhar na lavoura e quem cuidava de casa eram a bisa e avó. Minha mãe nunca foi dada a afazeres domésticos, porque tinha outra importância dentro do círculo famíliar. Além do mais tinha quem fizesse.
Lembro que um dia a minha mãe ficou doente, tinha uns 6 anos, e lá pelas tanta a bisa falou
"Vc vai aprender a cozinhar, pelo menos morrer de fome não vai".
Disse sim com os olhos assustados e a tarde começou a força tarefa: ensinar uma criança cozinhar.
Bisa disse: arroz, sopa e fruta! Ninguém morre de fome! Começamos com o arroz.
Em cima de uma cadeira para eu ver tudo, ela ensinou a escolher, lavar e preparar o arroz.
Foi fácil! Ela fez e eu vi. Surpresa quando ouço "agora vc".
Escolhi e lavei. Até aí, nenhuma dificuldade. Colocar na panela, medir a água (Ah! o arroz é japonês) e levar ao fogão. Ficar observando, observando, observando... O primeiro arroz! Ah! o primeiro arroz é inesquecível: fundo queimado e empapado. Empapado de empapado, não empapado de arroz japonês.
Foi um desastre, pensei eu. A bisa, grande sábia, disse: para ser o primeiro está bom.
Amanhã tem mais. E foi assim que no terceiro dia acertei a fazer o arroz.
A grande sábia, de novo, surpreendeu mostrando o arroz para todos da família.
Fiquei orgulhosa. Já sabia fazer o arroz.
Hoje, analisando, penso que se a bisa tivesse falado uma frase negativa na minha primeira experiência, nunca mais teria posto a mão no fogão. Ou ainda até hoje teria medo de cometer erros na cozinha.
A arte de cozinhar é feito de erros, ajustes, erros e acertos.
Aprenda a cozinhar, goste dos resultados e faça uma avaliação no que foi excelente, ótimo, bom e o que poderia melhorar. Só assim aprendemos mais que sobreviver, aprendemos a gostar de preparar a nossa própria alimentação.
Como surgiu esta história...Ontem durante uma aula de gastronomia hospitalar.
O professor falou que arroz de hoje não precisa lavar. Uma das colegas falou que achava errado e que tinha que lavar. A minha resposta: experimente levar direto a panela. Se não gostar, na próxima vez lave. Vc só tem a ganhar experimentando. Meio contrariada, ela fez o arroz. Perguntei depois: e aí? Como ficou?
Resposta: é igual ao lavado!